Farmácias e Medicina dão mais Emprego:

 

Estudo revela que História e Línguas têm menos saídas profissionais:

 

Farmácia, Medicina, e Física- são estes os cursos com mais saída profissional, aqueles cujos alunos começaram a trabalhar imediatamente. Do lado oposto, com um tempo médio de espera acima dos 12meses, encontramos os cursos de Psicologia, História e Línguas e Literaturas. Estas são algumas das conclusões do estudo “Trajectórias Académicas e de Inserção Profissional dos Licenciados”, realizado pela Universidade de Lisboa (UL) sobre os seus alunos, e que é divulgado hoje.

No que toca a remuneração, o estudo – feito com base num inquérito enviado a 8107 alunos, mas ao qual só responderam 2216 – revela que cerca de 60% dos estudantes receberam entre 500 a 1000 euros por mês e 9,6% menos de 300 euros. A variável que mais pesa ao nível da remuneração é a classificação obtida no curso, aumentando proporcionalmente a medida que as notas sobem. Assim, entre os alunos com “Muito Bom”, 78,9% recebem os salários mais altos – acima dos 1500 euros – e apenas 1,7% ganha menos de 300 euros.

Esta avaliação, realizada entre 1999 e 2003, vem ainda corroborar a ideia de uma feminização crescente do ensino superior. Não só entram mais raparigas na Faculdade, como a percentagem de diplomas (72%) é superior a do sexo masculino, concluindo ainda a licenciatura numa idade menos avançada do que os rapazes – 26 anos contra os 27 deles. Mas o estudo avança algumas explicações. A maior receptividade do mundo laboral aos rapazes pode explicar que eles privilegiem “o abandono dos estudos e a inserção mais precoce na vida activa”. Por outro lado, as raparigas encaram a educação como uma forma de “atenuar as discriminações salariais e socioprofissionais que são alvo” e aderem mais facilmente “a cultura escolar”.

            Uma outra conclusão é o fosso que existe no que diz respeito as habilitações da família de origem dos diplomados da UL. Mais de metade ocupam as suas posições extremas – os que possuem, no máximo, o primeiro ciclo de escolaridade e os que têm formação superior. Existem mesmo determinados cursos que são quase vedados aos alunos com agregado familiar pouco escolarizado como é o caso da Medicina, onde estes alunos representam apenas 8,4% do total. Já o cursos de Geografia é o cursos com maior percentagem destes estudantes – 58,3%.

            Apesar de se ter vindo a verificar uma tendência para um maior equilíbrio, o elevado peso dos diplomados provenientes de famílias com formação superior “evidencia o caracter socialmente selectivo do ensino superior”, concluí o trabalho. A origem social dos diplomados, da UL confirma isto: os licenciados da Universidade continuam a vir “maioritariamente das classes sociais que ocupam os lugares de topo na hierarquia social”. Mais uma vez, é no curso de Medicina, assim como no de Bioquímica e Biologia que “encontramos a percentagem mais elevada de licenciados com origem na classe média alta e alta”. Um cenário que contrasta com o de cursos como de Geografia, Línguas e Literaturas e Geofísica, onde os alunos dos extractos sociais mais baixos “ estão mais representados”.