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Alunos escolhem mais com coração do
que com cabeça
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Na altura de escolherem um curso, a maioria dos estudantes (39%)
elege a "vocação" como o factor decisivo. A "empregabilidade"
surge apenas em segundo lugar, sendo o motivo apontado num quarto dos casos
(25,5%). Estes dados, constantes do estudo conduzido por especialistas do
Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES), sugere que os
estudantes se comportam como "clientes imaturos" nas suas opções.
"Não sei se podemos dizer que optam mal", ressalva Diana Amado
Tavares, do CIPES. "O que podemos dizer é que eles não optam por critérios
racionais. O critério da vocação é sempre subjectivo, sobretudo naquelas
idades", explica.
Família e amigos decidem
Prova desta aparente indecisão dos estudantes são as influências que estes
apontam como decisivas na altura de optar. As raparigas valorizam
, acima de tudo, a opinião da família. Os rapazes privilegiam os
conselhos dos amigos.
"Estes dois factores pesam mais do que qualquer tipo de informação a que
os alunos tenham acesso", diz Diana Tavares, "desde a informação
institucional ao que os media dizem sobre os diferentes cursos".
Essa realidade, diz, torna-se evidente no aparente fracasso das campanhas
publicitárias lançadas pelas universidades e institutos politécnicos.
"Sobretudo agora, em que há uma evidente quebra no número de alunos no
ensino superior, tem-se assistido a uma grande aposta no marketing e na
publicidade, mas não resulta", garante.
A investigadora responsabiliza as próprias instituições pela situação actual:
"As instituições parecem pouco disponíveis para darem essas explicações
aos alunos. E depois", prossegue, "há uma panóplia de nomes de cursos
diferentes. E, às vezes, uma pequena diferença de designação pode traduzir
grandes diferenças nos conteúdos". Nestas circunstâncias, diz, é natural
que os alunos "confiem nos que estão mais próximos". Este fenómeno
ajuda a explicar as "modas" que por vezes surgem em torno de alguns
cursos.
In Diário de Noticias, 2 de Abril de 2007